quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Yellow intro



Você que já me conheceu do jeito mais bobo,
que já me viu bobo por várias vezes,
já riu de mim e se preocupou por coisas fúteis que passei.
Você que já me viu apaixonado por outra pessoa, olhou tudo de fora.
E eu nem percebia o que havia além de um querer bem.
Já chorou no meu ombro e me fez sentir seu abraço apertado,
Já me abraçou e fez abraçar de um jeito que parecíamos flutuar.
Você que já me fez querer ouvir apenas o coração bater,
Que me pediu pra voltar e eu nem sabia, de tudo que sentia.
Me fez perceber o que era de verdade, me livrou de monstros e fez gostar do escuro.
Me mostrou que regras são feitas para serem seguidas. Me fez fugir às minhas regras e vi que elas apenas existiam para me proteger do que era ruim, não de você.
Me fez ver o que significava " querer bem" e ser o "meu bem" de alguém.

Apreciar o silêncio com você era uma eternidade de palavras.
Até que em palavras quebrastes tudo que me prendia.
Olhei algo mais que um espelho em cacos, vi quem eu era e o que já havia perdido na vida.
Me fez pensar sobre o futuro, esquecer o passado e não ser refém.

Entende como eu sou com uma paixão, quando estava apaixonado por você foi tudo tão diferente.
Depois que disse que era muito mais que gostar muito. Eu entendi que não era paixão, não dessas que eu já achei que tive.

Tudo isto me faz pensar que "é mais que gostar muito".

sábado, 19 de outubro de 2013

Chuva de verão



Sinto estes dias contraditórios de mais do que era bom demais.
Sinto tanto calor em meio ao frio. Frio de vento, que só bate, gela e descansa sobre a pele molhada.
Calor que abafa o pensamento dentro do peito.

Um motivo não se perde apenas como uma gota de chuva. Mesmo quando tanto acontece em apenas uma gota de chuva. O riso não pode ser lavado tão facilmente quanto a chuva que escorre no rosto.

Mas esta chuva de verão desaba sem dizer, sem avisar. Caí e não permite dó aos desabrigados, aos cachorros da rua. Procurar abrigo e colo de mãe pode resolver às vezes.

Já gostei muito de chuva, já aproveitei muito a neblina. Já me molhei muito na rua, sem guarda-chuva e com o rosto inclinado, assim os pingos se espalhavam melhor pela pele.

Mas de tudo que deixei escorrer na chuva, o bom insiste em não resistir. Acho que só chove por um tempo e quando a chuva cai, nada mais continuará da mesma forma, tão feliz.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Dia Primaveril




Era um dia comum de primavera,
um frescor agradável até mesmo ao chegar ao campus.
Pensava em te esperar de um jeito leve, sem pesar nem atar.

Olhei o campo gramado e desta vez o quis atravessar de forma mansa e rastejante, sentir a grama por entre os pés, em meio à sandália. O frescor era algo bem aconchegante.

Aquelas árvores. Aqueles bancos de cimento envoltos aquela mesa branca e envelhecida me atraiam de forma como mariposa e luz. Resolvi ceder ao tempo e ao clima. Por quantas vezes havia passado por aquele caminho, quantas vezes sentei naqueles bancos, mas nunca como hoje. Não neste dia primaveril.

Me aconcheguei no canto, até a posição da luz incidindo sobre as folhas sedentas, era algo bom, o sol queimava de leve a pele ainda molhada.

Peguei um livro bem velho da mochila, algo que prolongo para ler e nunca finda, mas é algo bom para se ler e ter boas sensações. Para quem gosta de escrever sou um que tem muita dificuldades em terminar qualquer leitura que dure mais de uma hora consecutiva. Mesmo assim o peguei, vi dentro aquele marcador de páginas personalizado que ganhei para me incentivar a ler. Detalhe: fico fazendo análises das figuras do marcador e associando para quem me deu em um momento de despedida.

Desviei o olhar do que lia e vi o que se passava ao redor. Aquelas folhas de palmeira exóticas lá na frente pareciam sintonizar com a música lenta e de melodia profunda. Aos poucos a música alta atraia mais pessoas, cada um com um pensar sobre o que seria aquilo no gramado. Poucas pessoas, muitas sensações. Gosto assim, é uma forma de apreciar o mundo que tenho. Particularidade de estar sozinho as vezes, realmente ser uma boa companhia para si, difícil, mas proveitoso.

O casal de cabelo enrolado, se enrolava no lençol xadrez jogado ao chão, mostravam risos felizes. As moças que chegavam entusiasmadas e pedalando, mostravam risos felizes, tanto que quase nem paravam as bicicletas ao descer, saltavam para o encontro. Os que pilotavam suas tábuas de rodas rolantes, paravam para observar o que se cantava ao palco. Assim como a criança bailava ao som da música poética sem saber bem o que se cantava, se deixava embalar, assim como as palmeiras exóticas balançavam ainda mais.

Sei que aos poucos o gramado ia tendo tantas sensações possíveis. Eu mostrei risos felizes quando avisto uma mensagem dizendo que estava por chegar.
..