quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

O monstro da caixa


"Me fiz em mil pedaços
Pra você juntar
E queria sempre achar
Explicação pro que eu sentia
Como um anjo caído
Fiz questão de esquecer
Que mentir pra si mesmo
É sempre a pior mentira"
( Quase sem querer - Renato Russo)

Quando cheguei ao ponto de me destruir em tudo em que eu me escondia eu soube o quanto eu importava para você. Quando viu o que eu nem lembrava mais, por estar tão perdido dentro de meus pensamentos e lápides. Eu soube que você olhava para mim de verdade. Aos poucos e trancos eu fui construindo coisas que me afastavam de mim mesmo, apenas me escondendo ou enterrando. Tudo era teste, quanto tempo, quanto peso, quanto de volume, até onde vai, até onde estica. Tudo era teste e um achar de mudança empurrada socialmente. Serviu de nada, apenas para me esquecer de mim. 

Fiz e refiz muita coisa, um dia eu pensei ter esquecido tudo isto. Não precisei mais de testar, não precisei de esperar e muito menos de empurrar. Você veio até mim da forma mais mansa e me abraçou pelo peito. Noutro dia você me jogou ao chão e cai com força. Quebrei a asa e quebrei tudo o que podia expelir. Quebrei não foi a cara, mas o que recobriu meu rosto por muito tempo e ficou enterrado sob a face. Fiquei com medo de te perder quando viu o monstro que saiu da caixa. Você veio e me abraçou de novo, me abraçou pelo peito e não fugiu. Desde então venho tentando mostrar o eu mesmo ao monstro e dizer que ele não tem tanta importância mais.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Dark water


Lago
Pedra
Profundo
Culpa.

Coisas que hoje fazem o meu mundo.

Então penso como pode este lago me chamar tanto para entrar, fico olhando as ondinhas que batem em torno dos meus pés. O vento sopra um pouco gelado no meu rosto, ainda é dia, ou noite. Tanto faz. A ausência de lua ou estrelas deixa tudo meio sem cor. Apenas vejo um lago, a água é morna, me deixa tranquilo.

Penso em ir de vez e mergulhar, assim posso molhar por inteiro cada parte que está com sangue e poeira.
Penso em ir por partes, assim vou me acostumando com a falta que o vento gelado vai fazendo aos poucos.
Quando parei de pensar, já estava imerso, totalmente envolto pela água que me acalmava.

Água tão negra e confortável de se estar, o lago de fora não parecia tão profundo. Sinto algo me chamar do fundo, um certo medo de não voltar à superfície. O medo é algo emocionante demais, coragem é nadar mais ao fundo ainda, segurando o ar nos pulmões.

Levantava algumas vezes para fora da água tão negra só para a sentir envolver meu cabelo curto demais, foi feito em corte para a guerra que passei. Sangue demais por toda a parte, agora passou. Não sinto mais frio, apenas calor. Não penso na dor, os cortes são lavados e amaciados.

Não penso em sair daqui tão cedo, a água é quente, não existe frio aqui. Nem mesmo o suor existe. Apenas eu e este imenso profundo. Não existe culpa, nem honra, para me submeter.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Correndo na chuva


Se pensarmos na proporção dos dias de chuva para os dias de sol, temos uma taxa bem pequena. Acho que estes dias são poucos de mais para não serem aproveitados!!
A chuva e o frio me trazem sensações de liberdade. Talvez exatamente pelas ruas ficarem mais vazias, a luz sendo refracionada pelas gotas que caem forte. A chuva caí independente do querer, o que posso escolher é se vou aproveitar e me molhar um pouco, afinal é apenas água. Sempre ando bem devagar na chuva, o tempo passa mais lentamente nessas horas. Os pingos explodindo sobre as mãos estendidas, a água correndo nos cantos da rua. A associação de água com a vida é algo bem real e existente.
Hoje estava de cabeça cheia e pesada demais, o stress acumulado da insônia da noite passada ainda estava presente. Vesti uma roupa leve, um tênis velho e meus fones de ouvido. Saí de casa e comecei a correr, fui até à praia. Fiz uma pausa e parei pra apreciar algo que eu nunca tinha feito. Chega a ser mágico e abstrato o efeito da água caindo no mar, o ar mais gelado circulando em torno dos meus passos rápidos. Desviar de poças também fez parte do trajeto. Descobri hoje algo extraordinário.
Enquanto uns correm da  chuva, eu só queria correr na chuva.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Todos os motivos


“Todos os motivos acerca de tudo, não geram mais aprofundamento.”
Lembro que há muitos anos algum texto meu tinha esta introdução. Sentidos não existem onde direções são linhas apenas imaginárias. Coexistir entre sentir e agir é algo muito difícil.
Escolher apenas um lado seria impossível, agir sem sentimento seria algo tão ilógico. Pressentir é tão preciso quanto racionalizar.

De tudo pensar em quem se quer ser é tão impreciso que acabamos gerando apenas aquelas cobranças que tornar-se-ão ressentimentos. Depois isto tudo acarreta em receios causados por angustiantes frustrações. São encravadas em chão duro e difíceis de qualquer meio aquoso fazer-se presente.
Pensar no que se é, torna-se algo mais agradável. O presente é esta coexistência de tudo de que se já fez. O problema é esquecer realmente tudo. Ficam mais as coisas ruins pulsando, regurgitando sentidos sem nexo algum. Lembrar do que se pensava fazer a diferença é algo muito bom, ainda mais a esperança em descobrir que somos os mesmos. Por tanto tempo passado, sou ainda o mesmo. Com o brilho no olhar apenas ofuscado.


Se falta brilho no olhar, penso que ajustar um pouco o foco também consiste em mudar sua direção. Talvez a luminosidade do canto da parede seja suficiente para bastar.

Os motivos estão presentes, as vezes eu apenas me esqueço do quanto pode ser possível algumas coisas simples. Tenho todos os motivos para me aprofundar, acerca de tudo, constantemente.

sábado, 30 de novembro de 2013

Agradável Calor



Penso em dias de sol apenas. Vem a chuva e molha meu rosto de um modo que as lágrimas salgadas são confundidas misturadas com a água. Os dias nublados sempre foram mais seguros para quem precisa de sombra. Ao sol são poucas as sombras, de certa forma apenas aonde se esconde da luz.

Tudo agora tem um tom de sombra, estes tons de cinza que me completam, me deixam mais confortável. Para mim o sol nunca foi algo normal ou seguro. Ficar aquecido pode me ser perigoso, posso não aguentar tanto calor e enlouquecer. Perco todo o controle nestas horas, cada raio de sol tocante e tangente me deixam fraco.

Desta vez eu não pude evitar. Olhei pela janela e no sol eu via o teu lindo sorriso. Á cada passo percorrido queimava, senti novamente o teu toque. Eu ia sendo encoberto por aquele calor infernal e doloroso, me senti abraçado novamente. Nem pensei em meus abraços frios.Quando os raios de sol invadiam minha pele lembrei de como os fios do teu cabelo amarelado emaranhavam-se em minhas mãos e rosto. Cada vez era mais dor e calor, mas eu não resisti.

Caminhei e deixei tomar conta de mim. Antes de ser consumido a última coisa que ouvi, em meus últimos delírios foi você dizer "eu te amo". E depois de sentir um beijo, tudo se foi.

Inverno



Neste Inverno meus olhos que são bem tons de outono,
se aquecem nos teus, que são bem verão e primavera.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

De tudo o que sei

O que pode ser tão contraditório em minha mente
é resposta as vezes aos meus pensamentos.

De tudo tão confuso, aparece o medo.
De tudo tão grande, aparece o nada.
De tudo tão quente, aparece o frio.

De tudo sei que quando você deitou no meu colo naquele banco de praça e dormiu, nem me importei com a falta de apoio às costas. Apenas te via dormir.
Sei que quando as pontas do seu cabelo amarelo tocavam o meu rosto, fazia sentir pequenos salpiques de agulha, eu sorria.
Quando o sol passavam por entre os meus braços, teus olhos faziam combinação com aquelas folhas secas e esverdeadas que nos rodeavam.
Ter o tom dos olhos parecidos é tão bom quanto quando os mesmos olhos brilham juntos. Aos poucos o sol ia deslizando sobre o emaranhado de pensamentos que aconteciam entre a gente.


segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Sofá


O acordar com você é inevitável.
Embora pareça dormir em sonho, deitado em almofada macia.
São esses seus sorrisinhos de canto de boca.
Encanta tanto quando sorri alto.
Tão bom quanto estar acordado com você ao meu lado é te olhar dormindo.
Tão desajeitado e meigo é o teu jeito quando encosta em meu ombro procurando calor.
Quando fala em "grego ou aramaico" poesias que sonha.
Teus lábios tornam o meu respirar, manso e doce.

Em meio à notas antigas , achei isto. Lembro que você adormeceu, eu não conseguia dormir pois era tão lindo te observar sem preocupações cotidianas, apenas dormia. Só pra não te acordar lembro que escrevi este texto no celular, com uma mão. Você dormia em meu outro braço.

Gira em sol


Não é só pela vontade de te beijar, mas por tudo que se passa em minha mente antes de te beijar.
Seu olhar é tão vítreo que eu consigo ver quem sou, quando me aproximo de ti.
Minha pouca coragem é força para te segurar em meu abraço.
Quando apertado, é encaixe perfeito pra minha falta de jeito.
A falta de um gosto, me deixa com tanto gosto de verdade da tua boca.
Se de tão bela quando teu cabelo esconde a face, me olha de entreolhar e entre estas mechas ensolaradas. Quando te olho, imagino um girassol sozinho em um campo verde, dendo levado de um lado ao outro por uma leve brisa.

*Achei este texto em uma nota mais antiga no meu celular. Melhor dizer tudo que ainda existe, antes que não exista.

Instante

Aqueles instantes que insistem em ser mais que intensos.
Perduram por toda uma noite fria. O frio chega a aquecer pelo que se espera e aprecia.

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