segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Partida



Quando tive de partir, parti com pouca parte de você em mim.
Vivi mais um pouco, conheci mais do louco.
Caminhei por vias largas e movimentadas, até por baixo das vias eu passei.
Numa imensidão de gente, gostos e formas eu me via imerso, tanta forma, tanta gente.
Me exauria ao andar, me perdia por caminhar livre e desbravante.

Cada passo foi em vão, cada passo foi perdendo o chão.
Nem tanto foi salto, nem tanto foi um voo, apenas um levitar.

Quando achei ser casa, foi uma rua. Quando pensei ter lua, foi casa.
Quantos sorrisos, quantos punhais. Não de todos, alguns tinha como arma a verdade.
Verdades foram ditas, outras sussurradas. Tanta coisa dita, aprendi o valor do silêncio.
Confiança que tinha ao olhar, não tive certezas, mas a confiança demonstrou honra e sabedoria o suficiente para eu copiar.
Um bom café é um bom amigo as vezes, um bom café e um bom amigo as vezes, um bom café e querer ler algum livro também.

Enquanto eu ia, sua parte em mim aumentou. De tão longe, quão perto se aconchegou.

Voltei a ter casa, tão demorado foi pra chegar, café ruins e caros deram sabor à viagem de volta. Acho que era um aviso que nem tudo é tão doce. De primeiro foi duro, dando soco no muro. Tanta dúvida pairou sobre a mente infértil de um viajante. Alguns dias fui percebendo que eu já nem ligava mais, quando a gente vai pra uma guerra os espólios nos fazem refletir sobre o que realmente vai reluzir depois.

Falando em guerra, soldados feridos são aliados, depois nem importa mais o lado pelo qual se batalhou. Apenas um bom conto de guerra pra se esbravejar e tudo está resolvido.



quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Veneno inverdadeiro



De tanta certeza , o que se acaba no incerto. 
É mais certo que algumas certezas. 

De tão certo, tão cego.
De tão perto, tão quente.
De tão terno, vadio.
De tanta música, surdez.
De tanto encanto, engano.

De tanta mentira, verdade.

Que dissolve lentamente o veneno doce do seu rosto angelical e meigo.
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