terça-feira, 14 de abril de 2009

Covardias do destino

Andando por blogs amigos, vi a postagem de uma amiga, que tem paixão comum pela expressão em escrita, e claro foi uma das principais incentivadoras em ver um blog meu!! ou que pelo menos eu voltasse a postar, coisa que tinha quase um ano que não fazia. Ao ver a sua ultima postagem, senti um nexo com o que eu também passava, e se expressou por mim. Obrigado Aline!! a honra é sempre minha!! ai vai o link do blog dela. Mingau de bolinha http://mingaudebolinha.blogspot.com/ Covardias do destino Existem milhões de motivos para uma pessoa se decepcionar com outra... isso pode ocorrer por palavras, por gestos, por descobertas ou até por omissão de algo sem a minima importancia...
Eu costumo de decepcionar por todos esses itens, afinal, parece que as pessoas sentem algum tipo de prazer pessoal em me ver sofrer....
As vezes é bom... Traz inspiração... Por outras trazem o recomeço....
Eu percebi que gosto de viver emoções, sejam elas quais forem.....
E acredito que vivo sim, intensamente o prazo que me foi dado sobre este planeta.... que eu não sei quando terá fim.... Esta é uma emoção permanete.. a aflição da duvida causada pelo desconhecido.....
Já passei por experiancias que me levaram a crer que não havia mais nada.... Fim de relacionamentos, problemas de saúde, brigas em familia....
Hoje tudo isso passou, ou pelo menos diminuiu de intensidade....
Mas algumas coisas ainda me assombram... E isso é bom, me faz bem saber que eu não sei de tudo.
Eu não faço a mínima ideia de como isso irá influenciar a vida de vocês, mas precisava escrever.... Não tenho um ombro amigo no momento, por isso debruço no teclado.... Santa tecnologia....
Um conselho, paguem por ele se quiserem...:
"Apenas vivam, não se preocupem em encontrar o amor, ou em ser totalmente realizado profissionalmente, pois sempre faltará alguma coisa. E isso serve para que quando por poucos instantes se sentir completo, valha a pena. Pois tudo que é continuo cansa... e cansar da felicidade é a morte." gentilmente cedido por Aline.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

O sotaque das mineiras

"... deveria ser ilegal, imoral ou engordar. Porque, se tudo que é bom em um desses horríveis efeitos colaterais, como é que falar das mineiras ficou de fora? Porque, Deus, que sotaque! Mineira devia nascer com tarja preta avisando: ouvi-la faz mal à saúde. Se uma mineira, falando mansinho, me pedir para assinar um Contrato doando tudo que tenho, sou capaz de perguntar: só isso? Assino achando que ela me faz um favor." (Carlos Drummond de Andrade) Sempre fui ouvinte dos bons modos da terra de Minas, e de suas beldades, não tão vivido ainda, resolvi experimentar o bom lado da terra, e parti para um certo exilio da cidade. Uma cidadezinha de interior, com apenas uma rua. Mas na verdade foram extraordinários quatro dias , onde participei de um congresso , que era composto em sua maioria por mulheres de Minas Gerais, dentre todos os encantos que me levariam a passar muitas horas a mais descrevendo aqui, me conformo com o simples mas incrivel Drumond e sua expressão, não tem nada melhor que ouvir um bom dia com este sotaque manhoso! Minas Gerais, quem te conhece não esquece jamais!

domingo, 12 de abril de 2009

Porteira

Capitulo I:

Pré - fase

Vejo-me, com uma vida diferente, mas com felicidade e simplicidade, percebendo que onde existo agora é onde eu cresci e fiz meus valores serem bons, na verdade é uma cidade qualquer sem importância, com seu aroma especifico de terra molhada após a chuva que molha a vidraça que observo calmo enquanto penso na minha vida. Apesar de minha vida neste momento não ter tantos problemas, afinal acho que eu tenho apenas meus 12 anos de idade ainda.

Que bom, a chuva passou realmente, pego minha camisa xadrez e a visto, hoje vou visitar o parque que está na cidade, realmente não é sempre que posso ter este privilégio, afinal todo mundo se imagina como é viver em uma cidade de interior, tudo aqui é um pouco novidade, andar de bicicleta com os amigos é sim algo muito empolgante e bom.

Meus amigos, e eu finalmente saímos de nossas casas e caminhamos até chegar à praça principal, não se é difícil de achar, afinal o fluxo de pessoas e também carros segue para a mesma direção, coisa interessante isto. É realmente as luzes do fim de tarde aqui sempre são bonitas, muita gente junta, principalmente na feirinha de utensílios, para algumas meninas da cidade é muito empolgante ir ver prendedores de cabelo colorido, no meio de tudo, as meninas as vezes são tão estranhas.

Aproximo-me de uma barraquinha de coisas pequenas, talvez tenha alguma coisa interessante lá, acho que meus amigos devem ter ido em algum brinquedo, eu já estou cansado.

Ao chegar a barraca, vejo uma caixa com coisas coloridas, nem sabia o que era aquilo ou sua finalidade, toco um dos objetos na tentativa de pega-lo. Parece que alguém tentou pensou a mesma coisa. Me esbarro em uma mão, tão pequena, e bonita que paro para observar. Sim, pois quando a toquei algo estranho me aconteceu, Foi como um estalo dentro do meu peito, ainda não sei de quem é esta mão. Bom ouvi simplesmente um : - me desculpe, seguido de risos. Acho que estes risos meigos e parecendo acanhados são da dona desta mão.

Lentamente eu viro o meu rosto na direção do som, e observo apenas, rosadas bochechas olhando para mim, e sorrindo. Eu simplesmente não soube o que fazer, apenas fiquei olhando, nesse instante, parece que tudo e nada me importava, pois apenas queria estar ali parado e olhando para os olhos que também acompanhavam o sorriso.

Me recompus, e respondi: - não tudo bem, acho que a culpa foi minha. E sorri de volta.

Consegui conter minha timidez, afinal acho que não poderia ficar mais vermelho que a menina do cabelo loiro.

Resolvi perguntar então o que era aquilo, pois nossas mãos ainda estavam juntas e com aquele objeto no meio, mas sinceramente acho que naquela hora, eu não estava nem um pouco interessado em objeto algum. Não conseguia parar de sorrir, pois o que sentia era muito bom, na verdade nunca mais senti tão intensamente o que eu tive naquele minuto.

Capitulo II:

Cotidianos

O tempo que eu passava junto a ela era sempre único e cada dia melhor, nos tornamos amigos, todos os dias estávamos juntos e assim foram por alguns anos.

Certo dia, eu acordei e senti um aperto no coração, e vi seu rosto em minha mente, devo ter chamado seu nome. Desci correndo para a cozinha, não quis nem mesmo comer nada, eu estranhamente não senti fome. Fui até sua casa, a chamei da janela. Ela também tinha acabado de acordar, e mesmo assim continuava linda, mesmo em seu corpo magro, que agora já se formava e o que eu sentia era diferente também, a vontade de estar junto a ela, se resumia em estar preso a ela, como num abraço eterno.

Fomos andando até a porteira, um lugar que eu tinha descoberto ainda criança por acaso, mas sempre me sentia bem e refugiado quando estava embaixo da árvore grande, e me aconchegava em sua sombra, o pasto em volta se sentia redimido e curvado reverenciando o lugar, que sob uma elevação do terreno, um simples morrinho, com uma porteira do lado, cerca com pintura branca, velha e descascada, e a árvore.

Então ainda em pé, eu não sabia o que lhe dizer, ainda usava minhas camisas xadrez, ela sempre dizia que gostava delas, tinha um certo charme. Segurei suas mãos e apertei, senti que meu rosto ruborecia e meu corpo também esquentava, mas eu estava certo do que eu queria, olhei em seus olhos que continuavam meigos e brilhantes, ela não entendeu ainda. Parei de pensar, e abraçando a , toquei meu lábio com o dela, não consegui sair dali, e senti meu coração explodir, nos beijamos pela primeira vez. Ela então passou sua mão sobre minha nuca e afagou meus cabelos. E disse , eu também te amo.

Estava certo de que tudo que eu realmente queria estava em meus braços, e não precisava de mais nada.

Capitulo III:

Mudança

O problema é que a escola termina e ficamos mais velhos, sentindo a necessidade de que podemos mais, e devemos procurar mais, ganância humana horrenda. Mas eu me via dividido, tive a oportunidade de sair do meu pequeno e aconchegante mundo, ia estudar em outra cidade, ganhei uma bolsa de estudos e ia morar com meus tios. Abandonaria meus pais, meus amigos, minha árvore, nada disso tinha tanto valor agora, mas a única coisa que me prenderia era minha garota do cabelo loiro.

Novamente no nosso lugar, segurei suas mãos, mas agora com lágrima em meu rosto, que ardiam de meu peito, e ela simplesmente me abraçava e colocava sua mão sobre meu rosto e dizia apenas: - eu entendo, você pode mais do que aqui lá fora, eu não posso te impedir. Me beijou e saiu, eu ainda permaneci sentado sobre a árvore que me ouvia sempre por longas horas, e refletia sobre tudo, enquanto ainda continha minhas ultimas lágrimas.

Capitulo IV:

Estável

Eu me vejo agora de longe, olhando para o meu jantar sobre a mesa que esfria enquanto eu acordo de minha lembrança. Alguém toca a minha mão, existe sentimento, existe afeto em seu toque, e também existe uma aliança dourada com meu nome escrito em seu interior. Estava em meu restaurante preferido, sua decoração me indica que minha preferência tem seu glamour e seu alto preço, assim como o vinho que também está sob a mesa.

Quando olho para um rosto me admiro, como pode tanta beleza em minha frente contida em uma mulher, seu cabelo escuro como a noite que vejo de fora da vidraça do restaurante, apenas sorri e me indaga: - amor, seu jantar esta esfriando, você reflete muito. Observo seu vestido preto, acho que fui eu quem a presenteou. Realmente estou casado, não sou mais tão jovem, afinal o que aconteceu agora, me pergunto.

Por mim, vejo a situação real, eram apenas lembranças de uma vida que eu penso todos os dias que ainda poderia voltar. A mulher que está em minha frente é minha esposa, eu a pedi em casamento, eu tive momentos em que sorri junto, discutimos, concordamos, e vivemos juntos, ela parece me admirar e também me amar.

Penso em amor, o que seria isto, eu jurei amar alguém, e não foi ela, por mais que ela sempre se esforce acho que o que eu sinto agora não se diz como amor, a verdade é clara, sinto que amei apenas uma mulher, onde me perdia em seu sorriso e seus olhos meigos, e seu cabelo loiro. Isto é o que eu sinto agora.

Capitulo V:

Realidade

Acordo então, com um aperto no peito, meus olhos saem lágrimas, me pergunto o que aconteceu, ainda é muito cedo, para o despertador tocar, minha cama não é a mesma, eu estou em um beliche branco, e num quarto não muito grande, sento sobre a cama, e percebo que eu ainda tenho apenas meus 19 anos. Penso estar sonhando então, mas mesmo assim me levanto, acendo a luz e troco de roupa. Sinto que meu dia vai ser cansativo, mas ainda não percebo minha realidade. Desço as escadas de casa, sento sob a mesa, meu pai está aqui e eu apenas o comprimento, não entendo por que eu ainda sonho. Caminho até o meu trabalho, e por cerca de muitas horas depois que me recomponho em meus pensamentos e percebo que minha realidade é a atual, nunca existiu porteira nem árvore, nem muito menos vinho. Senti-me triste, e vi que simplesmente foi um lapso de realidade e eu me sinto sozinho agora.

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