quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

O monstro da caixa


"Me fiz em mil pedaços
Pra você juntar
E queria sempre achar
Explicação pro que eu sentia
Como um anjo caído
Fiz questão de esquecer
Que mentir pra si mesmo
É sempre a pior mentira"
( Quase sem querer - Renato Russo)

Quando cheguei ao ponto de me destruir em tudo em que eu me escondia eu soube o quanto eu importava para você. Quando viu o que eu nem lembrava mais, por estar tão perdido dentro de meus pensamentos e lápides. Eu soube que você olhava para mim de verdade. Aos poucos e trancos eu fui construindo coisas que me afastavam de mim mesmo, apenas me escondendo ou enterrando. Tudo era teste, quanto tempo, quanto peso, quanto de volume, até onde vai, até onde estica. Tudo era teste e um achar de mudança empurrada socialmente. Serviu de nada, apenas para me esquecer de mim. 

Fiz e refiz muita coisa, um dia eu pensei ter esquecido tudo isto. Não precisei mais de testar, não precisei de esperar e muito menos de empurrar. Você veio até mim da forma mais mansa e me abraçou pelo peito. Noutro dia você me jogou ao chão e cai com força. Quebrei a asa e quebrei tudo o que podia expelir. Quebrei não foi a cara, mas o que recobriu meu rosto por muito tempo e ficou enterrado sob a face. Fiquei com medo de te perder quando viu o monstro que saiu da caixa. Você veio e me abraçou de novo, me abraçou pelo peito e não fugiu. Desde então venho tentando mostrar o eu mesmo ao monstro e dizer que ele não tem tanta importância mais.
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