terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Dark water


Lago
Pedra
Profundo
Culpa.

Coisas que hoje fazem o meu mundo.

Então penso como pode este lago me chamar tanto para entrar, fico olhando as ondinhas que batem em torno dos meus pés. O vento sopra um pouco gelado no meu rosto, ainda é dia, ou noite. Tanto faz. A ausência de lua ou estrelas deixa tudo meio sem cor. Apenas vejo um lago, a água é morna, me deixa tranquilo.

Penso em ir de vez e mergulhar, assim posso molhar por inteiro cada parte que está com sangue e poeira.
Penso em ir por partes, assim vou me acostumando com a falta que o vento gelado vai fazendo aos poucos.
Quando parei de pensar, já estava imerso, totalmente envolto pela água que me acalmava.

Água tão negra e confortável de se estar, o lago de fora não parecia tão profundo. Sinto algo me chamar do fundo, um certo medo de não voltar à superfície. O medo é algo emocionante demais, coragem é nadar mais ao fundo ainda, segurando o ar nos pulmões.

Levantava algumas vezes para fora da água tão negra só para a sentir envolver meu cabelo curto demais, foi feito em corte para a guerra que passei. Sangue demais por toda a parte, agora passou. Não sinto mais frio, apenas calor. Não penso na dor, os cortes são lavados e amaciados.

Não penso em sair daqui tão cedo, a água é quente, não existe frio aqui. Nem mesmo o suor existe. Apenas eu e este imenso profundo. Não existe culpa, nem honra, para me submeter.

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