domingo, 6 de novembro de 2011

Dia comum demais para os pensamentos ( Crônica )


Sempre que estou esperando nos pontos de realidade da minha vida entro em uma camada de anti-realidade. Ou talvez pareça real no meu mundo imaginativo. Os mais "chegados" sabem que tenho o dom de me distanciar dos outros para estar próximo de mim.

Em um dia tão comum estar distante fez algo muito bom estar próximo.

Diversas vezes imaginava que alguma sorte do acaso viria em minha direção, eu sempre mantenho o olhar à minha frente. Em um dia tão comum a separação da minha anti-realidade foi quebrada por uma sonhativa que veio do lado em que eu não enxergaria, atrás. Veio até mesmo de sua direção contrária, pelo menos da que eu esperaria. O gesto simples do meu pensar, se uniu ao teu pensamento articulado.

O bom é saber que ainda passou ao meu lado como o vento passaria feliz entre o espaço deixado por vales em montanhas. Sem monstros para enfrentar ou olhar, apenas flutuaria em sua rapidez tão objetiva.

O estranho foi ter certeza que aquele aroma de brisa doce era seu, sem saber como era o cheiro de brisa.

A direção que eu sempre fico, o espaço que sempre deixo. Tudo aconteceu para entender que o que é bom de verdade nunca será programado. Foi da forma que eu nunca esperaria, vindo até de uma direção contrária. O bom sempre dará um jeito de surpreender.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Vai levar rosas ou margaridas Senhor?


Um dia destes um amigo me pergunta:
- qual flor daria à mulher que gostas?

Foi uma pergunta interessante, todos sempre pensamos em rosas. É simbolo do romantismo.
Eu penso diferente, penso que o romantismo não tem de ter cor vermelha. O fato de ter espinhos também não me representa os "dias ruins" do amor.

Acho que o amor tem de ser em tom azul. Não acho que brigar sem motivo é normal, o amor existe com entendimento. Sem precisar de explicações ou receios.

Respondi que escolheria uma margarida. Embora seja simples, ela floresce quase que junto ao capim, em qualquer canto do quintal. As vezes um quintal abandonado é seu ambiente ideal. Outras flores exigem muito cuidado, e morrem muito facilmente. Quase sempre só florescem em terra tratada especialmente para o plantio. De que adianta ser algo bonito e ter a existência tão vaga. A margarida resiste um bom tempo antes de morrer.

Acho que assim é o amor, tem de ser simples e com sua beleza particular e resistente. Margaridas sem dúvida.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Tarde de chuva


Não sou eu quem provoco as sensações em você.
eu apenas paro pra observar, sempre.
Tabem gosto de fazer as pessoas observarem.
Meu papel tem importância, que é fazer as pessoas pararem. As sensações vem por consequência.
Elas existem, mas as pessoas correm tanto da chuva que não param para sentir.

Cada gota que caiu nesta tarde de chuva fria e fina, fez transpirar o que continha em sensação tão aguardada.
O aguardo embora maior que a sensação, se choveu em risos e palavras cantadas na roda de palavreado.
E no findar da tarde, sem a intensão da tensão da frase, apenas digo : Chuva obrigado por ter vindo, adorei a tarde.


Chuva cinza,
riso azul.

Sem desculpas


Alguns dias eu procurava desculpas para entender o que me afastava de mim.
Alguns momentos eu afastava em mim o que eu tinha pra perceber.
Algumas horas e eu percebia em volta do que fugia.
Alguns minutos e eu simplesmente pensava em fugir.
Bastaram segundos pra perceber que eu estava apenas inerte na nuvem de pensamentos incoerentes,
deslocados em um espaço diferente do tempo. Sem sequência e sem fim, é somente início. Sem desculpas
sempre começava tudo sem seu devido ciclo. 

Estou aqui em um novo inicio, percebo que nunca desejei um fim. O início me deixa feliz.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Ice


Quando o coração acelera e acontecem todas as reações visíveis, nosso corpo fala.
Quando a pele ruborece e o corpo aquece, os olhos falam.
Quando os olhos brilham tanto que a capacidade de observação real nos é tirada,
a mente deixa de falar.
Quando o desejar causa dor pela simples espera.
Quando a inquietude, o afoitamento ou formigamento que existe em suas mãos, tudo parece tão belo,
tudo parece tão colorido com tons em vermelho, rosas são as flores em que se pensa oferecer,
um vestido vermelho seria o que desejaria em alguém ver, assim como os lábios também em tom vermelho.
Tudo parece tão belo, tão único. Isto acontece por estar apaixonado.

Quando a calma, a sensação de paz e de poder flutuar é tão certa que se faz sentir como nuvem ou algodão.
Quando não existe calor, mas equilíbrio.
Quando os olhos não brilham, choram sem saber o motivo, as lágrimas parecem ser doces.
Quando o desejo é apenas cortês e admirador.
Quando tudo o que se vê, parece existir de uma forma inatingível e infinita. Nada é mais belo. As cores são brancas e azuis formando uma sintonia perfeita, onde cada detalhe de vida parece ter sentido, assim como a existência. Em vez de beleza existe deslumbramento perante a perfeição. Os lábios, olhos e pele tudo é transformado em apenas um ser como uma alma que se pode tocar. Isto é amor

Estive apaixonado por muitas vezes em minha vida, por periodos e intensidades diferentes. Quando senti apenas uma parte do que seria o amor, a paixão se tornou algo tão bobo.

domingo, 12 de junho de 2011

Feliz dia dos namorados ( crônica de um solteiro observador )

Em comemoração ao dia dos namorados, embora eu seja solteiro, vou postar algo que achei interessante estes dias.

Avistei uma menina muito simples. como qualquer menina sem muitos atributos destacáveis para a maioria das coisas que costuma chamar a atenção. Quando ela passou a roleta do ônibus, ela sorriu para um rapaz que estava a acompanhando, mas foi um sorriso discreto, mas pareceu tão sincero e feliz que passei a observar os dois a partir daquele instante. Calmamente ela veio caminhando até a ultima cadeira livre do ônibus, que por acaso era de frente à minha.

Eu estava sentado nas cadeiras do fundo dividindo o fone de ouvido com meu primo, estavamos voltando de uma viagem que foi muito cansativa, eu realmente não repararia em nada que não fosse tão acotidiano como aquele evento.

A menina sentada no banco, ao lado do corredor segurou a mochila do rapaz e este , em pé , a beijou a cabeça e a fez recostar a cabeça na barriga dele. A partir deste momento apenas os observando percebia-se que existia uma sintonia entre os dois, diferente de muitas que a gente vê por todos os lugares. O rapaz envolvia a cabeça da menina com os braços por tras da nuca dela enquanto se equilibrava esforçadamente com a outra mão. Enquanto ele mantinha as mãos ali, não parou por um minuto de acariciar o rosto da menina e todo o contorno que continha. Era visível que os dois fecharam os olhos e deveriam estar tão apaixonados que criavam um próprio mundo, mesmo estando dentro do ônibus com suas curvas rápidas. Acho que observando esta cena tive uma pequena impressão do que seria amor.

Os dois poderiam ter historias distintas, parecidas, tristes, explendorosas ou qualquer outra. Apenas importava aquele momento que eu via.

Meu primo também observava a mesma cena então eu disse que achava " maneiro" ver aquilo. Também disse que as mulheres se acostumavam com pouco. Ele não entendeu e achou que eu me refiria ao rapaz, que não tinha tão boa aparência assim.  E achou tambem que eu me referia ao rapaz como pouco.

Isso mostra como pontos de vista são coisas realmente diferentes, enfim , depois eu expliquei o que eu havia falado.

Acho que o jeito que o rapaz tratava a menina não era o "pouco" e sim o que deveria ser o suficiente para qualquer menina. A verdade é que ele fazia era o muito, o fato de dizer que as mulheres se acostumam com pouco e não entender como ums mulher pode não exigir aquele minimo que a mesma menina recebia, ou estar com alguem que realmente demonstre respeito, e carinho o suficiente para ela conseguir se desligar por minimos instantes.

Eu reparei tanto, pq as atitudes do rapaz são exatamente as atitudes que eu procuro ter e não acho que sou mais certo ou mais errado, acho que esse é apenas o mínimo jeito de se tratar uma mulher. Como disse um amigo, eu me vi no lugar do mesmo rapaz, fazendo a mesma coisa.

Feliz dia dos namorados! para quem sabe valorizar a vida em si e os sentimentos que a compreendem, e os outros dias são dos solteiros, que sejam felizes em encontrar alguem que possam oferecer e receber este "minimo"!

sexta-feira, 8 de abril de 2011

batidas


Seu coração está batendo? perguntou o lírio.

- Batendo sim,

mas não com a intensidade que eu gostaria.
Não com a necessidade que eu tenho, por simplesmente ter algo pelo que apenas bater.
Se cada batida, em cada segundo, caisse uma gota. Apenas de um olhar.
A lágrima que se desfez do olho triste e sem brilho apenas o limpou,
o lábio antes tão falante nem mesmo sussurrou, os mesmos sussurros que antes faziam o coração vibrar.
Hoje a mesma ausência o faz sem vida, e apenas bate por bater
pela simples necessidade de existir.
Não existe alguém que o faça bater, deixou de bater por sentimentos irreais.
apenas bate para não terminar de morrer.

terça-feira, 29 de março de 2011

Lube


Lembro dos primeiros projetos onde, ele ainda usava uma simples máquina digital, uma que qualquer pessoa normal teria.

Um dia ele me diz:
- Cara, to pensando em tirar fotos.

Eu disse algo como achar legal, pois também me interessava por fotografia, mas não tanto como o Felipe. Então ele aparece com uma Sony com obturador maior. A máquina enchia os olhos, apesar de ser uma das mais simples que existiam, mas foi o primeiro investimento que fez para buscar algo que acho que nem mesmo imaginaria a qualidade que as suas fotos atuais teriam.

Uma noite qualquer, ele aparece e me chama para tirar fotos no bairro, foi engraçado pois a cada clique tinhamos de esconder a máquina na mochila, afinal dois garotos e uma máquina grande em mãos por volta de meia noite... bom corriamos o risco de talvez voltar para casa sem máquina nenhuma.

Acho que uma das primeiras fotos era de um arbusto de margarida, próximo à um poste de luz na Av. principal do bairro. Olhamos para o cartão de memória vazio, pareceria impossível o encher.

Após este dia, ele fez um novo investimento. Uma mochila maior onde não carregaria somente os livros grandes e pesados de História, existia um compartimento só para a máquina, era quase que herméticamente fechado. Com forro laminado por dentro, era térmico. Descobrimos que não era tão térmico assim quando tivemos a infelicidade de guardar umas cervejas, a experiência de beber cerveja quente não foi muito boa. E nem tão pouco de torrones derretidos. Com a mochila "térmica" a máquina fotografica de Felipe passou a ser parte integrante da sua rotina, assim como as canecas pessoais que se usam no restaurante universitário (R.U.) da UFES.

Após um tempo, comprou uma máquina melhor e com mais funções. A paixão pela fotografia se torna cada vez maior, e admiro a sensibilidade imposta pelos cliques do abrir e fechar do obturador da lente. Fico feliz pois, não existe nada melhor que ver um amigo apaixonado, pela arte e por algo que é tão magnifico.

Seus cliques vão de coisas que parecem para nós tão cotidianas, e sem importância. Mas não existe nada como admirar a simplicidade de uma forma bela.

Segue o link do Flickr:
http://www.flickr.com/photos/fe-lubra/

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Massante

Nunca estive tão confuso em cada pensamento preso em vontade,
em cada vontade pensante do meu andar.

Até mesmo meu olhar se embaça ao olhar pela própria janela da alma.
Alma esta que esqueceu sua definição de ser, perdendo o agir.
O limite se tornou tão perto que não chega a ter linha alguma como separação.
Dois pontos juntos seriam distantes demais para este limite.

Tão afoito que nem percebo um olhar,
Quando percebo, o olhar passa a me duvidar,
A clamar meu nome de dentro pra fora, ou seria o inverso.

De fora para dentro afinal o que está dentro em tanta
homogêneidade se torna unicolor, apenas alguns riscos de traços
pessoais perdidos na massa que não para de girar e misturar.

A cabeça massante que gira em torno do pescoço, nem tem direção para
se eixar.

Um pingo de chuva pode ser um lago profundo neste momento,
a intensidade se perdeu em medidas.

Até mesmo a língua se enrolou diante de tanta confusão,
as próprias palavras que antes tão suaves e gentis,
nem sabem como escrever " delicadeza".
..